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O banner é uma solução tecnológica e não
um projeto de comunicação. E mesmo como solução técnica ele
está ultrapassado. Antes de mais nada, ele teve o seu formato
pensado em um tempo em que a velocidade de conexão era
reduzida, portanto era necessário economizar espaço na
transmissão de conteúdo. Esse é um dos motivos que fazem com
que a publicidade resista à internet.
A web vem
evoluindo rapidamente, mas o banner não consegue surfar
plenamente nessas novas ondas. Quando utilizei a rede pela
primeira vez, minha velocidade de conexão era de 14.4 kbps.
Hoje, navego por meio de uma conexão banda larga com 256 kbps,
o que representa um aumento de quase 18 vezes.
Mesmo
assim, o banner e seus formatos e limitações continuam quase
imutáveis. É certo que ele mudou em alguns aspectos. Hoje, com
o Flash e os GIF animados, ficou mais fácil produzir material
de qualidade. Porém, esses novos recursos são paliativos que
dão apenas uma sobrevida ao outdoor virtual.
O
problema está na sua essência, uma vez que ele não foi
pensando como solução de negócios ou meio de comunicação.
Limitações tecnológicas ditaram os padrões que, sabe-se lá por
quê, ainda resistem, mesmo diante das mais recentes inovações.
Houve um tempo em que a internet imaginava prescindir
de outras mídias, supondo que jornais, rádios e TVs
sucumbiriam aos encantos da rede mundial. Porém, o que cada
vez mais as pessoas que fazem e trabalham na web precisam
compreender é que todas as tecnologias caminham para um ponto
de convergência. Não haverá supremacia de uma tecnoidéia sobre
as outras, mas uma integração, uma soma.
Nesse novo
contexto, em que a internet reinventa e é reinventada por
outras mídias, o banner em seus formatos tradicionais e o
famigerado click through perdem sentido. Será que uma
grande idéia cabe em apenas 468x60 pixels? Será que não
podemos oferecer aos anunciantes formatos e tamanhos
diferenciados, adequados a cada idéia, produto ou serviço?
Certamente, existem sinais de mudança no mundo
virtual. Alguns sites estão oferecendo áreas expandidas para
veiculação de publicidade, além das placas convencionais. Os
endereços talkcity.com, tucows.com e
wanadoo.fr
oferecem áreas verticais do lado direito do site, com tamanhos
variando de 120x600 a 148x465 pixels, ampliando as
possibilidades de apresentação de produtos e serviços. Em zdnet.com o
espaço disponível é horizontal, com 728x90 pixels.
Entretanto, esses espaços ainda carecem de maior
interatividade. Para isso é interessante visitar alguns sites
nacionais como o da Brasil
Telecom, onde o usuário poderá montar seu próprio filme e
enviá-lo como um cartão virtual.
Outra sugestão é uma
área dentro do site da Volks,
e uma terceira possibilidade é uma visita virtual ao Centro de Operação
e Supervisão da Telefônica.
Há poucos anos,
surgiram diversos sites e portais com seus modelos de negócio
calcados em comercialização de espaço publicitário. Hoje,
apenas os serviços mais proficientes conseguem viver daquilo
que subsidia a TV há gerações: publicidade. Por que as TVs
conseguem isso e a internet não? Onde estamos errando?
Um dia a web imaginou que reinventaria a publicidade.
Será que esse reinventar e essas novas experiências de
interatividade resumiram-se em formatos predefinidos de
banners? Para manter a rede ativa, inovadora e comercialmente
interessante para os anunciantes, precisamos ter a humildade
de olhar para os outros veículos e aprender um pouco com a
experiência deles.
*Pedro Luiz Côrtes, pedro@greensoft.com.br
é professor da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado,
consultor em webmarketing e escritor
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